Tecnologia CRISPR impulsiona o desenvolvimento de cultivos mais resistentes, mas eficiência depende da qualidade do DNA e RNA utilizados nos experimentos
A busca por mais produtividade e sustentabilidade no agronegócio tem acelerado o uso de tecnologias de edição gênica no campo. Entre elas, o CRISPR vem ganhando espaço ao permitir alterações precisas no DNA de plantas para desenvolver cultivares mais resistentes, produtivos e adaptados às mudanças climáticas.
Por trás desse avanço, porém, existe uma etapa fundamental para o sucesso das pesquisas: a qualidade e a pureza do DNA e do RNA utilizados nos experimentos. Contaminantes presentes no material genético podem comprometer a eficiência da edição gênica, reduzir a precisão dos resultados e aumentar o risco de falhas nos estudos.
Nesse cenário, cresce a demanda por soluções voltadas à extração, purificação e análise de DNA e RNA, ampliando o papel das empresas especializadas em biologia molecular dentro da cadeia de inovação do agro.
“A pureza do DNA e do RNA é crítica em experimentos com CRISPR porque contaminantes como proteínas, fenóis e sais podem inibir a ação das enzimas responsáveis pela edição gênica. Isso reduz a precisão dos cortes no DNA e pode gerar falhas ou alterações indesejadas”, explica Jayme Nunes de Souza Filho, gerente de Canais para a América Latina da Loccus.
A empresa atua no desenvolvimento de tecnologias para extração automatizada de material genético, controle de qualidade e detecção molecular, contribuindo para ampliar a precisão e a confiabilidade dos experimentos conduzidos por pesquisadores e laboratórios.
A tecnologia CRISPR já vem sendo aplicada em estudos voltados ao aumento da tolerância à seca, redução do uso de fertilizantes químicos, resistência a pragas e melhoria nutricional de alimentos. Segundo Souza Filho, a expansão dessas pesquisas aumenta a necessidade de precisão molecular nos laboratórios.
“Garantir a qualidade do material genético é essencial para reduzir falhas, acelerar resultados e ampliar a segurança dos estudos”, afirma.
O especialista destaca que materiais contaminados podem gerar toxicidade celular, falsos negativos e até insegurança regulatória, fatores que impactam diretamente o custo e o tempo de desenvolvimento de novas soluções para o agronegócio.
Diferentemente dos transgênicos tradicionais, a edição genética por CRISPR não exige, necessariamente, a inserção de genes de outras espécies. Em muitos casos, a técnica atua na edição ou desativação de genes da própria planta, permitindo alterações mais precisas nas características agrícolas.
A tecnologia já apresenta aplicações concretas em diferentes culturas. Um dos exemplos é o desenvolvimento de maçãs que escurecem menos após serem cortadas. Nesse caso, pesquisadores conseguiram desativar o gene responsável pela produção da enzima que provoca a oxidação da fruta, aumentando seu tempo de conservação.
Outro exemplo leva para alterações nutricionais em plantas. Nesse caso, a edição gênica usando CRISPR já permitiu a desativação da maioria dos genes das gliadinas que expressam as proteínas responsáveis pela formação do glúten no trigo. Esses cultivares produzem baixo teor de glúten que favorecem o consumo por celíacos.
Outra frente ainda envolve o desenvolvimento de cultivares mais resistentes às mudanças climáticas. Pesquisas trabalham na edição gênica de plantas para ampliar a tolerância à seca, reduzir emissões de gases e diminuir a dependência de defensivos químicos e fertilizantes sintéticos.
“A edição gênica representa uma nova fronteira da inovação no agro. A tecnologia permite ganhos de produtividade sem expansão de área e deve acelerar o desenvolvimento de cultivares mais adaptados aos desafios climáticos dos próximos anos”, conclui Souza Filho.
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