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Abril Laranja: manejo adequado no desmame de bezerros é pilar contra os maus-tratos no campo

Professora de Medicina Veterinária da Estácio alerta que o período, que exige atenção redobrada com estresse, vermifugação e controle de parasitas

O mês de abril carrega a cor laranja como um símbolo global de conscientização e prevenção contra a crueldade animal. No Brasil, o debate ganha uma camada técnica fundamental para o setor produtivo: o bem-estar animal na pecuária de corte. Coincidindo com o pico do período de desmame tradicional, que ocorre majoritariamente entre março e maio, a atenção à saúde dos bezerros torna-se um indicador direto de manejo humanizado. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), estima-se que o Brasil possua a segunda maior população de animais de produção do mundo, e a transição do aleitamento para a pastagem é o momento mais crítico da vida do animal.

Segundo dados do IBGE e da Embrapa, o desmame ocorre tipicamente quando o bezerro atinge entre 6 e 8 meses de idade. Se realizado sem o planejamento adequado, o estresse da separação pode causar perdas de até 10% no peso vivo do animal em poucos dias, além de comprometer severamente o sistema imunológico, abrindo portas para doenças oportunistas.

O desafio do desmame e o bem-estar

Para a médica veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, Nilse Oliveira, o “Abril Laranja” no campo deve ser traduzido em protocolos que minimizem o sofrimento. O desmame, quando feito de forma abrupta e sem critérios sanitários, pode ser configurado como uma falha grave de bem-estar.

“O desmame é, naturalmente, um período de estresse elevado. O animal perde o contato com a mãe e precisa se adaptar a uma nova dieta. Se não houver um manejo racional, como a desmama lado a lado ou o uso de pastagens de alta qualidade, o animal sofre física e psicologicamente. Bem-estar animal não é apenas ausência de violência, é garantir que o bezerro passe por essa transição com saúde e suporte técnico”, explica.

Parasitas e o “vazio sanitário” individual

Além do estresse comportamental, a médica veterinária sinaliza que o período de desmame coincide com a transição para o período seco, momento em que o controle de endo e ectoparasitas (vermes e carrapatos) é vital. “A queda na imunidade causada pelo estresse torna o bezerro um alvo fácil para infestações que podem levar à anemia e até à morte”, adverte.

Nesta época do ano, de acordo com Nilse, a vermifugação e o controle estratégico de carrapatos são medidas de cuidados básicos com o animal. “O carrapato causa dor, irritação e transmite doenças como a Tristeza Parasitária Bovina. Um produtor consciente, alinhado aos princípios do Abril Laranja, entende que o investimento em saúde preventiva é o que diferencia uma produção ética de uma negligente”, pontua.

Conclusão e Impacto Regional

Em estados como Goiás, onde a pecuária é um pilar da economia, a adoção de práticas de manejo racional reflete diretamente na valorização do produto final e na sustentabilidade do setor. “A educação continuada de pecuaristas e acadêmicos é o caminho para que os índices de produtividade caminhem lado a lado com o respeito à vida animal”, finaliza.

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