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Lentilha-d’água: conheça a planta capaz de purificar água, gerar bioprodutos e impulsionar a agricultura sustentável no Brasil

Pesquisadores parceiros do INCT NanoAgro apontam o potencial da Lemna minor para fitorremediação, bioprodutos e cultivo sustentável, abrindo caminhos para uma economia regenerativa

A busca por soluções que conciliem produtividade, sustentabilidade e inovação tem impulsionado a bioeconomia e os modelos de economia circular em todo o mundo. Nesse contexto, a lentilha-d’água (Lemna minor), uma das menores plantas com flor do planeta, desponta como espécie-modelo promissora para aplicações ambientais e industriais, conforme aponta o novo estudo publicado na revista Circular Economy and Sustainability, da Springer, que sistematiza o conhecimento acumulado sobre a espécie e a posiciona como potencial vetor de transição para uma bioeconomia circular.

Intitulado Advancements in Duckweed (Lemna Minor) Research: Exploring Sustainable Applications, Bioproducts and Cultivation Strategies as Potential Drivers to Circular Economy, o artigo foi assinado por Johana Marcela Concha Obando, Beatriz Heitzman, Moranne Toniato, Thalisia Cunha dos Santos, Levi Pompermayer Machado e Guilherme Wolff Bueno, pesquisadores que estão entre os parceiros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro). A revisão analisou 50 estudos científicos selecionados por meio de busca sistemática, organizando-os em quatro grandes frentes: ecotoxicologia, fitorremediação, composição química e bioprodutos, além de estratégias de cultivo.

Pequena, perene e comum em ambientes de água doce, Lemna minor pertence à família Lemnaceae e é frequentemente encontrada flutuando ou submersa em lagos, lagoas e reservatórios. Sua estrutura simples e rápido crescimento tornaram a espécie objeto de interesse científico em diferentes áreas, especialmente como organismo-modelo em testes ecotoxicológicos e como ferramenta para monitoramento da qualidade da água.

Na área de fitorremediação, os estudos indicam o potencial da lentilha-d’água para remover nutrientes e contaminantes de corpos hídricos, contribuindo para o tratamento de efluentes e mitigação da eutrofização. Já no campo dos bioprodutos, a composição química da planta — rica em proteínas, compostos bioativos e biomassa de rápida renovação — abre caminho para aplicações que vão de biofertilizantes a insumos para a indústria de base biológica.

Segundo os autores, apesar do volume crescente de publicações, faltava uma revisão sistemática abrangente que consolidasse as informações disponíveis e permitisse avaliar o estágio de maturidade das pesquisas. A ausência dessa base organizada dificultava, inclusive, a conexão entre os avanços científicos e os desafios globais relacionados à economia circular.

Ao atualizar e avaliar criticamente o conhecimento existente, o estudo também identifica lacunas e aponta perspectivas para investigações futuras, especialmente no que diz respeito à padronização de estratégias de cultivo, tanto em condições laboratoriais quanto em sistemas abertos, e ao aprimoramento da caracterização taxonômica e morfológica da espécie.

Mais do que reunir dados, a revisão propõe um enquadramento conceitual: analisa Lemna minor à luz dos principais referenciais da economia circular, destacando sua versatilidade biológica e capacidade de integrar cadeias produtivas sustentáveis. Ao transformar resíduos em biomassa de valor agregado e contribuir para a recuperação ambiental, a lentilha-d’água é apresentada como peça estratégica na construção de sistemas produtivos regenerativos.

O trabalho reforça a importância de integrar pesquisa básica e aplicada na consolidação de soluções baseadas na natureza, podendo ser consultado na íntegra através do link: https://link.springer.com/article/10.1007/s43615-026-00756-y.

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