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Universalização da Assistência Técnica e Extensão Rural é essencial para garantir segurança alimentar no país, avalia estudo da Coalizão Brasil
Inspirado no Sistema Único de Saúde (SUS), relatório propõe reformular a ATER para ampliar a cobertura do serviço; hoje, apenas 18% dos agricultores familiares recebem orientação
Um novo modelo de governança para a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) propõe a criação de um sistema unificado para enfrentar a instabilidade climática e garantir a segurança alimentar no Brasil. A proposta surge em um contexto de cobertura insuficiente do serviço, que deixa cerca de 80% dos estabelecimentos rurais sem capacitação técnica especializada — apenas 18% dos agricultores familiares recebem algum tipo de orientação, índice que cai para menos de 10% na região Norte.
De acordo com o estudo “Assistência Técnica e Extensão Rural para Agricultura Familiar”, é preciso que a ATER deixe de ser compreendida como ação pontual — restrita à resolução momentânea de problemas técnicos — para se fortalecer enquanto política de Estado contínua e resiliente de desenvolvimento rural, capaz de articular educação, produção, inovação e participação social de forma integrada. A publicação foi lançada nesta terça-feira (24) pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, em parceria com a FOLU Brasil (The Food and Land Use Coalition) e a Fundação Solidaridad.
O estudo, elaborado pela FUNAPE (Fundação de Apoio à Pesquisa – UFG), sugere a criação de um pacto federativo, com financiamento estável no modelo ‘fundo a fundo’ (nacional, estadual, distrital e municipal) e monitoramento digital em tempo real, visando transformar a agricultura familiar em um pilar de produção regenerativa e de baixo carbono, imune às descontinuidades de políticas públicas entre diferentes gestões.
“A assistência técnica tem que ser um dever do Estado e um direito do produtor rural. O bom uso da terra é um bem coletivo, que beneficia o clima e o combate ao desmatamento — e não apenas quem está dentro da propriedade”, afirma Mariana Pereira, colíder da Força-Tarefa Segurança Alimentar da Coalizão Brasil e gerente de Programas da Fundação Solidaridad. “A pesquisa defende a universalização da ATER como um objetivo para que todos os agricultores tenham acesso ao apoio técnico da mesma forma que todo cidadão tem acesso à saúde via SUS.”
Carla Gheler, também colíder da Força-Tarefa Segurança Alimentar da Coalizão Brasil e coordenadora de Sistemas Alimentares do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), destaca que “fortalecer a governança da Assistência Técnica e Extensão Rural é um passo essencial para acelerar a transição para sistemas produtivos mais sustentáveis no Brasil. Uma ATER estruturada, bem coordenada e orientada por resultados permite que a agricultura familiar tenha acesso a conhecimento, tecnologia e práticas regenerativas que aumentam produtividade, resiliência climática e conservação dos recursos naturais.”
O relatório foi desenvolvido a partir de uma trajetória de reflexões teóricas e escutas qualificadas de gestores, extensionistas e representantes da agricultura familiar, além de consulta e pesquisas sobre o funcionamento do SUS como referência de modelo.
O que é a ATER e contexto atual
A ATER é um serviço público que leva conhecimento, tecnologias, práticas sustentáveis e apoio aos agricultores e comunidades rurais para melhorar a produção, gestão e qualidade de vida no campo.
Atualmente, no entanto, o serviço enfrenta um cenário de fragmentação institucional e descontinuidade de políticas públicas, com uma cobertura insuficiente — apenas 18% dos agricultores familiares recebem algum tipo de orientação, um índice que cai para menos de 10% na região Norte.
“Precisamos encarar que, em muitos desses locais, o desmatamento é um sintoma trágico da pobreza: onde não chega o conhecimento técnico nem o apoio do Estado, a vulnerabilidade econômica acaba se tornando o motor da degradação ambiental.”, analisa Mariana Pereira.
Segundo ela, a assistência técnica é a ponte necessária para que muitos produtores saiam de uma economia de subsistência para uma produção rentável, sustentável e regenerativa. “Precisamos urgentemente de uma nova governança que preencha esse vácuo e garanta que o conhecimento chegue a quem produz os alimentos do país.”
Impacto econômico e colaboração público-privado
Além dos ganhos ambientais e sociais, a reestruturação da governança da assistência técnica é apresentada como um motor de desenvolvimento econômico, capaz de dinamizar mercados locais e profissionalizar a produção no campo. A oferta qualificada de orientação técnica incentiva o agricultor a investir em tecnologia e infraestrutura, o que movimenta cadeias de suprimentos e serviços especializados. “Ou seja: o uso eficiente da terra, construído de forma compartilhada entre extensionistas e agricultores e fundamentado em bases adequadas, resulta em um cardápio de benefícios que gera a oferta de produtos sustentáveis e aumenta a renda no campo”, complementa Mariana Pereira.
O estudo prevê, ainda, uma rede de prestação de serviços que envolva não apenas o Estado, mas também a participação de organizações da sociedade civil e do setor privado, desenvolvendo ainda mais a economia local.
Tecnologia e qualificação profissional
O relatório também aponta a necessidade de modernizar o monitoramento do setor por meio do e-ATER, um sistema de informação unificado que mede o impacto qualitativo das ações. A proposta prevê a integração de informações climáticas e de risco ambiental nos sistemas de monitoramento para auxiliar o agricultor na tomada de decisões adaptativas frente a eventos extremos.
A retomada de programas de formação com parcerias acadêmicas é outra recomendação do relatório. Um exemplo é a Residência Agrária, para aproximar a universidade das demandas reais do campo e qualificar o atendimento em temas como agroecologia e práticas de baixo carbono.
“Se queremos escalar a adoção de práticas sustentáveis e regenerativas no campo, precisamos fortalecer os instrumentos que levam assistência técnica qualificada aos produtores. Uma governança moderna da ATER pode ampliar o acesso a boas práticas produtivas, gerar ganhos de produtividade e contribuir para resultados climáticos e socioambientais positivos em toda a cadeia agroalimentar”, conclui Carla Gheler.
O sumário executivo do estudo pode ser acessado aqui.
Destaque
Sistema da GoodWe reduz em até 80% os custos de operação de indústria de alimentos em Minas Gerais
Com solução híbrida de geração solar e baterias, empresa elimina o uso de geradores a diesel, garante estabilidade elétrica e avança rumo à autossuficiência
A busca por eficiência e autonomia transformou a rotina da Frutas e Verduras AP, localizada em Bom Repouso (MG). A empresa implementou um sistema híbrido com tecnologia GoodWe, integrando geração fotovoltaica e baterias de armazenamento, o que resultou em uma redução de até 80% nos custos mensais de energia elétrica e na eliminação do uso diário de geradores a diesel.
Segundo o proprietário, Altair Pereira, a mudança trouxe ganhos significativos tanto econômicos quanto operacionais.
“Nós tínhamos muitos problemas de queda de energia e tentamos antes com um gerador que era acionado todos os dias. Mas com essa necessidade diária e também pela questão sustentável, optamos por um sistema híbrido. Foi uma das melhores decisões que tomamos aqui”.
O empresário explica que o sistema fotovoltaico da GoodWe foi instalado inicialmente para suprir parte do consumo, mas posteriormente expandido com a adição de baterias, garantindo estabilidade e autonomia. Além de estabilizar o fornecimento elétrico, a solução híbrida otimizou o uso da água na propriedade
“Hoje não temos mais queda de tensão. O sistema alimenta a energia e ficamos sempre com carga. Antes, queimávamos equipamentos por causa das oscilações, agora tudo funciona com regularidade. A energia solar passou a alimentar as bombas dos poços artesianos, que levam a água para o reservatório no alto. A distribuição agora é feita por gravidade, o que gerou uma economia muito grande. Antes, dependíamos de motores a diesel e bombas elétricas, e agora conseguimos fazer tudo com energia limpa”, explica Altair.
Com a redução de 75% a 80% na conta de luz, o produtor pretende avançar ainda mais e tentar zerar completamente o custo de energia.
Para o vice-presidente da GoodWe América do Sul, Fábio Mendes, o projeto é um exemplo do potencial das soluções híbridas em segmentos produtivos.
“Casos como o da Frutas e Verduras AP mostram como a combinação de geração solar e armazenamento é capaz de reduzir custos, eliminar falhas de energia e tornar operações rurais e industriais mais sustentáveis. A GoodWe tem trabalhado para oferecer tecnologias que unem autonomia, confiabilidade e economia, ajudando empresas a crescer de forma limpa e eficiente”.
Destaque
Economia de R$ 200 mil impulsiona parceria entre GoodWe e Fábrica de Laticínios Becker
Instalação de dois inversores HT de 75 kW da GoodWe e mais de 400 módulos solares reduz em 70% o consumo e garante retorno financeiro expressivo ao laticínio catarinense
Localizada em Rio Fortuna (SC), a Fábrica de Laticínios Becker alcançou resultados expressivos em economia e eficiência energética com a implantação de um sistema fotovoltaico equipado com tecnologia GoodWe. O projeto, desenvolvido pela Neolight Solar em parceria com a WS Representações, utiliza dois inversores da linha HT de 75 kW e mais de 400 módulos solares de 560 W, capazes de suprir cerca de 70% do consumo elétrico da planta industrial.
“O cliente buscava a melhor solução de custo-benefício, sem a necessidade de aumentar a demanda contratada junto à concessionária. A combinação de engenharia e tecnologia fez desse projeto o cenário ideal para o laticínio”, explica Tarcísio Weber, da WS Representações.
Segundo Jonas Bianco, CEO da Neolight Solar, os resultados confirmam a eficiência do sistema.
“A instalação com os inversores HT de 75 kW comporta mais de 200 módulos e possibilita uma economia aproximada de R$ 10 mil mensais para o cliente. Em dois anos de operação, essa economia já ultrapassa R$ 200 mil um retorno direto e proporcional ao investimento realizado”.
Além do desempenho técnico, a parceria entre a Neolight e a GoodWe se destaca pela integração e suporte constante.
“A nossa parceria com a GoodWe é muito importante, não apenas pela qualidade dos produtos, mas também pelo pós-venda. Temos uma sinergia muito boa com todo o time técnico e isso facilita muito o nosso trabalho como integrador. O time da GoodWe sempre se disponibiliza a nos ajudar”, ressalta o engenheiro e CEO da Neolight Solar, Paulo César.
O executivo reforça que a cooperação entre as empresas vai além dos resultados imediatos. “Eu gostaria de agradecer a parceria com a GoodWe, por termos essa sinergia e, juntos, construirmos cada vez mais um mundo melhor”, completa.
Para o vice-presidente da GoodWe América do Sul, Fábio Mendes, o projeto simboliza a força da energia solar no setor produtivo.
“A instalação na Laticínios Becker mostra como a tecnologia GoodWe se adapta a diferentes perfis de operação, gerando economia real e sustentabilidade. Essa parceria reforça o nosso compromisso com o desenvolvimento de soluções eficientes que transformam a matriz energética do país”.
Destaque
VLI registra recordes de movimentação de grãos e farelos em 2025
Volume transportador pela companhia nos Corredores Leste, Sudeste e Norte chegou a 23 milhões de toneladas, incremento de 16% na comparação anual
A VLI, companhia de soluções logísticas que integra ferrovias, portos e terminais, registrou em 2025 recordes históricos na movimentação de grãos (milho e soja) e farelos, um dos principais segmentos atendidos pela empresa. No período, o volume transportado pelas ferrovias alcançou 23 milhões de toneladas úteis (MTU), resultado 16% superior ao registrado em 2024. Já nos portos operados pela companhia, foram embarcadas 15,4 MTU, crescimento de 14% na comparação anual.
Para Carolina Hernandez, diretora Comercial da VLI, os resultados refletem a proximidade da companhia com os clientes e a capacidade da VLI de oferecer soluções logísticas eficientes e integradas para o agronegócio. “Os recordes de movimentação de grãos e farelos demonstram a confiança dos clientes na VLI e a solidez do nosso modelo operacional. Atuamos de forma integrada nos principais corredores logísticos do país, conectando regiões produtoras aos portos com eficiência e segurança, fatores essenciais para o desempenho do agronegócio brasileiro. Tudo isso atrelado a uma logística de baixo carbono, inerente às operações ferroviárias”, afirma.
A VLI movimenta grãos e farelos nos seus corredores logísticos de maior volume: Sudeste, Leste e Norte. O Corredor Sudeste conecta o Centro-Oeste à Baixada Santista, por meio da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O Corredor Leste liga o Triângulo Mineiro aos portos de Vitória (ES), integrando a FCA e a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Já o Corredor Norte conecta regiões produtoras do Centro-Norte aos portos do Maranhão, combinando o tramo norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS), a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e terminais integradores estrategicamente posicionados.
Resultados VLI 2025
Por mais um ano, a VLI – companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais – manteve a trajetória de crescimento lucrativo sustentável de seu negócio, que movimenta cargas de cadeias produtivas dos principais segmentos da economia brasileira como o agronegócio, mineração, indústria e construção civil. Ao final de 2025, a companhia registrou a movimentação de 43,5 bilhões de TKU nos seus corredores logísticos ferroviários, um aumento de 4% em relação a 2024. Nos portos onde opera, a VLI embarcou 43,9 milhões de toneladas, incremento de 2% ante 2024.
Os indicadores financeiros atestam a gestão sólida da companhia, com Ebitda de R$ 5,26 bilhões, receita líquida de R$ 9,95 bilhões e lucro líquido reportado de R$ 1,40 bilhão (+5.3% vs. 2024), alavancado por iniciativas para refinanciamento de dívidas vincendas, que trouxeram redução de despesas financeiras. A margem Ebitda alcançou o recorde de 52,9%, o que representa um acréscimo de 0,5 ponto percentual vs. 2024.
Pelo segundo ano consecutivo, a companhia investiu cerca de R$ 3,5 bilhões em seus ativos próprios e nas concessões sob sua gestão, o equivalente a 35% da receita líquida e 2,5 vezes o lucro líquido reportado no ano.
