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Cuidados com mudas exigem atenção redobrada diante da previsão de geadas no Brasil
Diante de baixas temperaturas até 50% das safras podem ser comprometidas, como ocorreu em Dourados-MS, em 2021
As temperaturas negativas registradas no Brasil nos últimos dias acenderam o alerta em diversos setores da produção agrícola e da restauração ambiental. Entre os dias 24 e 26 de junho de 2025, cidades da região Sul e Sudeste enfrentaram fortes geadas, com mínimas históricas. Em General Carneiro (PR), por exemplo, os termômetros chegaram a –7,8 °C, com formação de gelo nas lavouras e até em superfícies de água. Segundo os institutos de meteorologia, o país enfrenta duas ondas de frio neste mês, com potencial de geada em áreas elevadas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste também nas próximas semanas.
Esse cenário preocupa especialmente quem trabalha com mudas de plantas, sejam agricultores que cultivam espécies frutíferas e hortaliças, ou instituições voltadas à restauração ecológica. Isso porque a exposição ao frio intenso pode causar danos irreversíveis nas estruturas jovens das plantas, comprometendo sua sobrevivência, crescimento e produtividade futura.
No campo, culturas como café, milho, feijão e verduras estão entre as mais afetadas. As geadas queimam folhas, brotações e, em alguns casos, até raízes, reduzindo drasticamente a qualidade e o volume da produção. Já nos viveiros voltados à recuperação ambiental, como os que produzem mudas de árvores nativas da Mata Atlântica na Associação Ambientalista Copaíba, o risco é ainda mais sensível. Mudas em fase inicial de crescimento têm pouca reserva energética e baixa tolerância ao estresse térmico, o que pode resultar em perdas significativas para projetos de reflorestamento ou recuperação de áreas degradadas.
Diante desse cenário, a Copaíba, referência na produção de mudas nativas no interior de São Paulo e no sul de Minas Gerais, vêm adotando medidas emergenciais para proteger suas estruturas. “Nosso viveiro está passando por um processo de cuidados especiais como preparação para possíveis geadas. Estamos reforçando a adubação, cobrindo as mudas e monitorando as condições climáticas com mais frequência”, relata Flávia Balderi, Secretária Executiva e Coordenadora do Viveiro da Copaíba.
Flávia lista dicas práticas adotadas pela equipe da Copaíba e que podem servir de referência para agricultores e demais produtores interessados em garantir a segurança de suas mudas:
1. Adubação especial pré e pós-frente fria
Reforçar a adubação com potássio ajuda a fortalecer as paredes celulares das mudas, tornando-as mais resistentes ao congelamento. O potássio pode ser adicionado por meio de adubos minerais potássicos ou biofertilizantes. Essa prática deve ser feita com antecedência à chegada da massa de ar frio e reforçada logo em seguida.
2. Elevação dos recipientes
Mudas dispostas diretamente no solo estão mais vulneráveis às geadas. Por isso, utilizar bancadas, pallets ou estruturas elevadas reduz a transferência do frio do chão para os recipientes e apoia na proteção das plantas.
3. Monitoramento constante
Acompanhar os boletins meteorológicos com atenção é essencial. No viveiro da Copaíba, o planejamento das ações de proteção começa dias antes da geada se confirmar, o que permite ajustes preventivos em todo o espaço.
4. Proteção física com lonas e plásticos
Cobrir as mudas em fase de rustificação e fechar as laterais dos telados com lonas e plásticos ajuda a manter a temperatura interna mais elevada, criando um microclima mais estável. Essa barreira física reduz o impacto direto do frio e evita o choque térmico nas estruturas jovens das plantas.
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Abril Laranja: manejo adequado no desmame de bezerros é pilar contra os maus-tratos no campo
Professora de Medicina Veterinária da Estácio alerta que o período, que exige atenção redobrada com estresse, vermifugação e controle de parasitas
O mês de abril carrega a cor laranja como um símbolo global de conscientização e prevenção contra a crueldade animal. No Brasil, o debate ganha uma camada técnica fundamental para o setor produtivo: o bem-estar animal na pecuária de corte. Coincidindo com o pico do período de desmame tradicional, que ocorre majoritariamente entre março e maio, a atenção à saúde dos bezerros torna-se um indicador direto de manejo humanizado. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), estima-se que o Brasil possua a segunda maior população de animais de produção do mundo, e a transição do aleitamento para a pastagem é o momento mais crítico da vida do animal.
Segundo dados do IBGE e da Embrapa, o desmame ocorre tipicamente quando o bezerro atinge entre 6 e 8 meses de idade. Se realizado sem o planejamento adequado, o estresse da separação pode causar perdas de até 10% no peso vivo do animal em poucos dias, além de comprometer severamente o sistema imunológico, abrindo portas para doenças oportunistas.
O desafio do desmame e o bem-estar
Para a médica veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, Nilse Oliveira, o “Abril Laranja” no campo deve ser traduzido em protocolos que minimizem o sofrimento. O desmame, quando feito de forma abrupta e sem critérios sanitários, pode ser configurado como uma falha grave de bem-estar.
“O desmame é, naturalmente, um período de estresse elevado. O animal perde o contato com a mãe e precisa se adaptar a uma nova dieta. Se não houver um manejo racional, como a desmama lado a lado ou o uso de pastagens de alta qualidade, o animal sofre física e psicologicamente. Bem-estar animal não é apenas ausência de violência, é garantir que o bezerro passe por essa transição com saúde e suporte técnico”, explica.
Parasitas e o “vazio sanitário” individual
Além do estresse comportamental, a médica veterinária sinaliza que o período de desmame coincide com a transição para o período seco, momento em que o controle de endo e ectoparasitas (vermes e carrapatos) é vital. “A queda na imunidade causada pelo estresse torna o bezerro um alvo fácil para infestações que podem levar à anemia e até à morte”, adverte.
Nesta época do ano, de acordo com Nilse, a vermifugação e o controle estratégico de carrapatos são medidas de cuidados básicos com o animal. “O carrapato causa dor, irritação e transmite doenças como a Tristeza Parasitária Bovina. Um produtor consciente, alinhado aos princípios do Abril Laranja, entende que o investimento em saúde preventiva é o que diferencia uma produção ética de uma negligente”, pontua.
Conclusão e Impacto Regional
Em estados como Goiás, onde a pecuária é um pilar da economia, a adoção de práticas de manejo racional reflete diretamente na valorização do produto final e na sustentabilidade do setor. “A educação continuada de pecuaristas e acadêmicos é o caminho para que os índices de produtividade caminhem lado a lado com o respeito à vida animal”, finaliza.
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VLI registra recordes históricos de movimentação no Corredor Norte em 2025
Terminal Portuário São Luís embarca 5,8 milhões de toneladas
A VLI, companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, alcançou recordes históricos de movimentação no Corredor Norte no último ano, consolidando a região como um eixo estratégico para o escoamento da produção brasileira. O corredor, formado pelo tramo norte da Ferrovia Norte-Sul, sob concessão da VLI, e pela Estrada de Ferro Carajás, registrou a movimentação de cerca de 15 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil) no período, um aumento de 4,1% vs 2024.
O desempenho expressivo teve reflexo direto no Terminal Portuário São Luís (TPSL), terminal da VLI localizado no Porto do Itaqui, no Maranhão, que também atingiu um marco histórico ao movimentar quase 5,8 milhões de toneladas por meio do Berço 105 ao longo do ano.
“Acreditamos que o Norte seja o caminho natural para as cargas de toda a região do Matopiba, captadas pelo nosso corredor logístico. Os recordes alcançados demonstram a robustez do nosso sistema integrado e o papel fundamental da infraestrutura que a VLI oferta para o desenvolvimento logístico do país. Seguimos investindo em eficiência, segurança e confiabilidade para apoiar o crescimento dos nossos clientes e da economia brasileira, com uma logística de baixo carbono”, afirma Cesar Toniolo, diretor de Operações do Corredor Norte da VLI.
O Corredor Norte opera cargas como grãos (soja, milho e farelos), celulose, combustíveis e ferro-gusa. Além da malha ferroviária e do porto, esse corredor logístico conta com três terminais integradores estrategicamente localizados: Porto Franco, no Maranhão, Porto Nacional e Palmeirante, ambos no Tocantins.
Integração regional
Parte integrante do Corredor Norte, os terminais integradores Porto Nacional (TIPN) e Palmeirante (TIPA) completaram, em 2026, dez anos de operação, totalizando cerca de 59 milhões de toneladas de cargas movimentadas no período. Entre 2016, quando iniciaram as operações, e 2025, a movimentação de produtos nas unidades da companhia saltou de 1,9 milhão de toneladas para 8 milhões de toneladas, representando um crescimento de 320%.
A inauguração dos terminais foi resultado de investimentos superiores a R$ 260 milhões, em valores da época. Vocacionados para o agronegócio, TIPA e TIPN movimentam grãos – soja e milho –, farelos e fertilizantes e cumprem duas importantes funções: realizar o transbordo da carga dos caminhões para o modal ferroviário e fornecer capacidade de armazenagem para os produtores locais.
Os terminais integram o Corredor Norte da VLI, que compreende o tramo norte da Ferrovia Norte-Sul, controlado pela companhia desde sua criação, em 2010; e a Estrada de Ferro Carajás, por onde as composições da companhia trafegam por direito de passagem para acessar o sistema portuário de São Luís. Na capital maranhense, a VLI possui o Terminal Portuário São Luís, no Porto do Itaqui, por onde as commodities são exportadas para o mercado global.
A movimentação de cargas no Corredor também reflete o crescimento da região e a importância do sistema integrado da VLI. No intervalo de dez anos, de 2016 a 2025, os volumes ferroviários registrados pela companhia passaram de 5,4 bilhões de TKU para 14,9 bilhões de TKU – unidade de medida que considera a carga total transportada e a distância percorrida.
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Caravana Giro do Leite realiza análises gratuitas e promove conhecimento em eventos do agro paulista
Iniciativa participa de encontros em Alto Alegre e Botucatu, no interior de São Paulo, com foco na qualidade do leite e na capacitação de produtores rurais
A Caravana Giro do Leite, projeto itinerante de promoção de conhecimento, inovação e boas práticas para a cadeia produtiva do leite, estará presente nesta semana em dois importantes eventos do setor agropecuário no interior de São Paulo, reforçando sua atuação junto aos produtores rurais na promoção da qualidade do leite e na difusão de conhecimento técnico.
No dia 10 de abril (sexta-feira), a partir das 13h30, a Caravana participa do evento Produtor em Foco: Soluções para crescer no Campo, realizado no Centro de Lazer do Trabalhador, em Alto Alegre (SP). Durante a programação, produtores poderão levar amostras de leite para análise gratuita realizada pela equipe técnica da Caravana, além de receber orientações sobre boas práticas e a importância do monitoramento contínuo da qualidade da produção.
Já no dia 11 de abril (sábado), a iniciativa marca presença no Buffalo Day, primeiro evento promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalo (ABCB), que acontece das 7h às 14h no Centro de Pesquisas Tropicais em Bubalinos, na Fazenda Experimental Edgárdia da Unesp, em Botucatu (SP). O encontro reunirá especialistas, empresas do setor, estudantes e produtores, com uma programação voltada à criação de búfalos e às oportunidades do segmento.
Em ambos os eventos, a Caravana Giro do Leite oferecerá suporte técnico aos participantes, contribuindo para a avaliação da qualidade do leite e para o aprimoramento da produção nas propriedades rurais.
“A nossa missão é estar cada vez mais próximos dos produtores, levando informação, tecnologia e ferramentas que ajudem a melhorar a qualidade do leite no Brasil. Participar de eventos como esses é fundamental para ampliar esse diálogo e incentivar práticas mais eficientes no campo”, afirma Luiz Carlos Roma Jr., diretor da Caravana Giro do Leite.
Com o apoio de importantes parceiros, como a The Product Makers Brasil, FOSS, Revista Balde Branco, ATW Comunicação, DO Criativo e CATI, a presença da Caravana nos eventos reforça o compromisso em atuar diretamente junto ao produtor, acompanhando, analisando e difundindo informações essenciais para o desenvolvimento sustentável da cadeia leiteira no país.
Em 2025, a Caravana Giro do Leite percorreu mais de 12 mil quilômetros pelo Brasil, participou de mais de 25 eventos estratégicos do setor e atendeu diretamente mais de 14 mil produtores rurais, consolidando sua atuação no campo. Ao longo do ano, esteve presente em importantes encontros como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), a Coplacampo, em Piracicaba (SP), o Dia de Campo da APTA, em Pindamonhangaba (SP), além de feiras e eventos regionais como a ExpoFrul, em Frutal (MG), a Festa do Leite, em Batatais (SP), a Exapit, em Tupã (SP), e a ExpoRioPreto, em São José do Rio Preto (SP), ampliando o acesso à análise da qualidade do leite e à orientação técnica diretamente no campo.
