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Dia Mundial do Meio Ambiente: PIB Verde ganha força no Brasil com restauração florestal, carbono e bioeconomia

Estudos apontam potencial de R$ 776 bilhões em movimentação econômica e geração de 2,5 milhões de empregos, redefinindo o papel da natureza como importante ativo financeiro

A economia da natureza começa a ocupar espaço estratégico nos debates sobre crescimento, competitividade e desenvolvimento no Brasil. Impulsionadas por cenários como a expansão de mercados de carbono e avanço da bioeconomia, que valorizam ativos ambientais, iniciativas ligadas à restauração florestal e à produção sustentável vêm se consolidando como motores de geração de renda e empregos, atração de investimentos e desenvolvimento regional.

Estudos do Fórum Econômico Mundial estimam que a transição para uma economia positiva para a natureza pode movimentar US$ 10,1 trilhões anuais e gerar cerca de 395 milhões de empregos no mundo até 2030. Paralelamente, o mercado internacional de carbono projeta crescimento acelerado ao longo da próxima década, consolidando ativos ambientais como uma nova classe econômica global.

Para a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o cenário reforça a oportunidade de o Brasil liderar um novo ciclo econômico baseado no fortalecimento do chamado “PIB Verde”, conceito que considera a geração de riqueza associada à conservação ambiental, aos serviços ecossistêmicos e à produção de baixo carbono, com benefícios diretos para as pessoas, os territórios e as economias locais.

“A natureza não é apenas patrimônio ambiental, mas também representa uma infraestrutura econômica e social, essencial para o bem-estar das pessoas. Neste cenário, o Brasil reúne ativos estratégicos para liderar a nova economia verde: grande disponibilidade de recursos naturais, matriz energética relativamente limpa, forte produção agropecuária robusta e diversa, e crescente capacidade técnica em soluções baseadas na natureza”, afirma Karen Oliveira, cofacilitadora da Coalizão Brasil.

Restauração como oportunidade de investimento e geração de empregos verdes

A restauração florestal entrou na agenda de fundos de investimento, bancos de desenvolvimento e empresas à medida que cresce o reconhecimento de que áreas degradadas podem se tornar ativos naturais de alto valor. Um estudo da Coalizão Brasil e organizações parceiras mostrou que a restauração de ecossistemas pode gerar até 2,5 milhões de empregos diretos no país até 2030, além de atrair capital de longo prazo e contribuir para a remoção de carbono da atmosfera.

No Brasil, modelos de negócio focados na restauração de ecossistemas nativos demonstram esse potencial na prática. Iniciativas no Cerrado, apoiadas pela Corporação Financeira Internacional (IFC) do Grupo Banco Mundial, visam restaurar 280 mil hectares de terras degradadas. O projeto tem o potencial de gerar 1.800 empregos verdes, sendo 800 deles diretos em manejo sustentável, beneficiando áreas rurais onde as oportunidades são escassas.

Em escala global, o setor florestal emprega diretamente cerca de 42 milhões de pessoas, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e movimenta bilhões de dólares em produtos que vão além da madeira, como alimentos e medicamentos. A relevância econômica das florestas é amplificada por seu efeito multiplicador: para cada 100 empregos criados no setor, outros 73 são gerados na economia em geral, em áreas como construção, energia e turismo, conforme dados da FAO.

A preservação e o manejo sustentável das florestas são, portanto, um imperativo econômico para as nações. Ao desbloquear o valor dos ativos naturais, é possível criar caminhos de prosperidade que protejam o meio ambiente enquanto geram oportunidades de trabalho digno e inclusivo.

Agronegócio mais sustentável impulsiona exportações

O acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia – que entrou em vigor, de forma provisória, no início de maio – é o mais recente exemplo de como a sustentabilidade deixou de ser diferencial competitivo para o setor agropecuário e passou a ser requisito para o acesso a mercados. Esse movimento ilustra uma tendência global a exigir a rastreabilidade de cadeias produtivas, visando dissociá-las do desmatamento.

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