Com a alta da reposição, o momento é de excelência na gestão, controle de indicadores e atenção às oportunidades
Atualmente, a cria vive uma fase de margens mais atrativas, com o bezerro mais valorizado. Para quem está na etapa seguinte da produção, a recria e engorda, o momento é de atenção para manter-se ajustado e antecipar-se a possíveis oportunidades.
“O desafio para recriadores e confinadores esta em fazer a operação mais afinada possível para que mantenham a margem definida”, analisa Bruno Longo, Gerente Regional da Terra Desenvolvimento nos Estados de Goiás, Tocantins e Para. “O momento é de excelência na gestão”, sentencia.
Antes de comprar animais para recria ou engorda, Longo destaca que é importante para o produtor buscar clareza sobre o sistema de produção ideal para o momento. O sistema pode ser uma recria a pasto, recria intensiva a pasto, semiconfinamento, confinamento próprio ou boitel.
“Cada modelo exige um tipo de animal, nível de nutrição e velocidade produtiva, essa clareza precisa ser considerada para uma boa compra”, afirma.
Outro indicador que ganha peso é o custo da arroba produzida. Vale evitar a máxima de que a arroba produzida no pasto é sempre barata e a produzida no cocho é sempre cara. “Atendemos fazendas que são mais eficientes no confinamento do que no pasto, e também o contrário. Por isso, o produtor precisa controlar os custos e entender onde realmente está sendo eficiente ou ineficiente”, explica o consultor da Terra Desenvolvimento.
“Atendemos fazendas que são mais eficientes no confinamento do que no pasto, e também o contrário. Por isso, o produtor precisa controlar os custos e entender onde realmente está sendo eficiente ou ineficiente”, explica o consultor da Terra Desenvolvimento.
Portanto, o sucesso está no controle do dia a dia e sugere que o produtor acompanhe de perto indicadores produtivos e financeiros. Como exemplo cita as métricas de ganho médio diário, lotação, giro de arrobas, desfrute, mortalidade, eficiência alimentar e desembolso por cabeça ao mês.
O consultor da Terra Desenvolvimento chama atenção para um ponto recorrente no confinamento: esperar certezas do mercado pode custar caro. Prever exatamente o comportamento do mercado não é possível, mas uma dica é construir cenários para se preparar.
Além de planejar a compra de animais (peso, categoria, sangue), outra sugestão é organizar-se estrategicamente para a aquisição de insumos como milho, DDG, farelo e caroço de algodão. Inclusive pode valer-se de ferramentas para gerir o risco de preços com contrato futuro ou outras ferramentas financeiras (hedge).
Para tanto, vale atenção a exigência de caixa e capacidade de armazenagem.
“Sem isso, a fazenda perde competitividade e remediar a situação pode sair mais caro”, alerta. Na metodologia da Terra Desenvolvimento, há o planejamento de longo prazo, mas as tarefas são desdobradas em semestrais, mensais e semanais para garantir que o sistema esteja sob acompanhamento e possa ser facilmente ajustado.
Por fim, é recomendado que o produtor esteja sempre informado. Alternativas, fora da porteira, é buscar desenvolver a habilidade comercial da equipe, seja por meio de estratégias de venda, pools de comercialização ou negociações mais estruturadas com frigoríficos.
Para quem pretende confinar no próximo ciclo, o primeiro passo é desenhar o projeto com clareza. Na lição de casa é importante definir o tamanho do confinamento, estrutura necessária, logística operacional e capacidade financeira. O investimento envolve currais, maquinários, vagão forrageiro, tratores, fábrica de ração e estrutura de operação.
Longo também recomenda que o projeto já considere uma possível expansão futura. “Se o produtor começa com um confinamento para duas mil cabeças, por exemplo, é recomendado que o layout preveja crescimento para três ou quatro mil. Isso reduz custos e facilita a evolução da operação”, pontua.
As três recomendações são simples: clareza sobre o sistema produtivo, acompanhamento rigoroso dos indicadores e planejamento antecipado.
“O produtor precisa saber exatamente qual sistema quer operar”, afirma, aconselhando que acompanhe os indicadores de forma obsessiva para que possa controlar e se antecipar. “Na pecuária, quem se antecipa normalmente captura as melhores oportunidades”, conclui.
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