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Goiás transforma força do campo em indústria de alimentos, biocombustíveis e químicos, aponta IBGE

Dados da Pesquisa Industrial Anual 2024 mostram que a fabricação de produtos alimentícios responde por 43% do valor da transformação industrial goiana. Para a ADIAL, números reforçam o papel da indústria na agregação de valor, geração de empregos e desenvolvimento dos municípios.

Goiás tem na indústria de alimentos o principal eixo de sua transformação produtiva. Dados da Pesquisa Industrial Anual 2024, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (24), mostram que a fabricação de produtos alimentícios responde por 43% do Valor da Transformação Industrial no Estado.

O levantamento também aponta a presença relevante da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 11,7%, e da fabricação de produtos químicos, com 5,5%.

Para a ADIAL, os dados reforçam que a economia goiana não deve ser lida apenas pela produção primária. A força do campo ganha escala quando passa pela indústria, que transforma matérias-primas em alimentos, energia, insumos, produtos com maior valor agregado, empregos, arrecadação e desenvolvimento regional.

“Goiás não pode ser visto apenas como um Estado produtor de commodities. O que o IBGE mostra é que temos uma indústria de transformação robusta, capaz de transformar a força do campo em alimento, energia, insumo, emprego e desenvolvimento para os municípios. É nesse processo que o valor se multiplica”, afirma Edwal Portilho, o Tchequinho, presidente-executivo da ADIAL.

A ADIAL é uma associação civil sem fins lucrativos que congrega indústrias, operadoras logísticas, empresas de tecnologia e serviços. A entidade atua na representação institucional, defesa de interesses do setor produtivo, construção de agendas estratégicas e fortalecimento do ambiente de negócios em Goiás.

No recorte regional, a PIA-Produto mostra que o Centro-Oeste respondeu por 6,9% da receita industrial do País em 2024. Os principais destaques da região foram produtos diretamente ligados à agroindústria: carnes bovinas frescas ou refrigeradas, tortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja e álcool etílico não desnaturado, o etanol.

Segundo Tchequinho, os dados ajudam a reposicionar o Centro-Oeste no debate econômico nacional.

“O Centro-Oeste deixou de ser apenas uma fronteira agropecuária. A região hoje é também território de transformação industrial. Em Goiás, isso fica muito claro quando olhamos para alimentos, biocombustíveis e produtos químicos. São cadeias que conectam campo, indústria, logística, energia, tecnologia e mercado consumidor”, destaca.

A presença dos biocombustíveis entre os principais segmentos da transformação industrial goiana também reforça o papel do Estado na agenda energética. Para a ADIAL, o dado deve ser analisado em um contexto mais amplo, que envolve segurança alimentar, segurança energética, sustentabilidade, infraestrutura e competitividade.

“O mundo discute alimento, energia e sustentabilidade. Goiás participa dessas três agendas. Temos produção, temos indústria e temos empresas preparadas para responder a uma demanda cada vez mais exigente. O desafio é garantir infraestrutura, segurança jurídica, logística eficiente e um ambiente de negócios que permita à indústria crescer”, afirma o presidente-executivo da entidade.

Outro ponto destacado pela ADIAL é a participação dos produtos químicos no Valor da Transformação Industrial de Goiás. Para a entidade, o segmento mostra que a indústria goiana avança para além da agroindústria tradicional, com presença de cadeias complementares, insumos, processos industriais e atividades de maior complexidade.

A pesquisa do IBGE também permite detalhamentos por classes da CNAE e por municípios para empresas industriais de maior porte. Para a ADIAL, esse recorte é essencial para entender onde a indústria acontece na prática: nas plantas industriais, nos centros de distribuição, nas cadeias de fornecedores, nas rotas logísticas, na geração de emprego local e na arrecadação das cidades.

“O município é onde a indústria se materializa. É onde está o trabalhador, a fábrica, o fornecedor, a estrada, a energia, a escola técnica e o impacto direto na vida das pessoas. Por isso, olhar para os municípios goianos é fundamental para identificar vocações produtivas, gargalos e oportunidades de desenvolvimento”, avalia Tchequinho.

Para a ADIAL, os números da PIA 2024 indicam que Goiás tem uma base industrial estratégica, com capacidade de ampliar protagonismo nacional se houver planejamento de longo prazo.

A entidade defende uma agenda voltada à melhoria da infraestrutura, qualificação de mão de obra, eficiência logística, inovação, previsibilidade regulatória e fortalecimento da interlocução entre setor produtivo e poder público.

“A indústria gera valor onde existe ambiente favorável para produzir, investir e competir. Goiás tem base produtiva, empresas fortes e vocação industrial. Agora, precisamos transformar essa força em uma agenda permanente de desenvolvimento”, conclui Tchequinho.

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Imagem: Freepik
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