B4A lança tecnologia capaz de prever riscos biológicos do solo a partir de análises físico-químicas já realizadas pelos produtores
Uma tecnologia de inteligência artificial desenvolvida a partir da análise de uma base de mais de 14 mil amostras de solo traz uma nova abordagem para ampliar o acesso a dados biológicos no campo.
Desenvolvido pela B4A (Biome4All), empresa brasileira especializada em microbiologia aplicada ao agronegócio, o Biostart é uma plataforma que utiliza inteligência de dados para transformar análises físico-químicas convencionais em diagnósticos preditivos de risco biológico do solo.
O sistema utiliza informações já disponíveis em laudos físico-químicos dos produtores rurais para estimar a probabilidade de ocorrência de desequilíbrios microbiológicos, limitações funcionais e riscos fitossanitários, sem a exigência de novas coletas e análises de solo.
“O Biostart nasceu para responder uma pergunta simples: o que os números de uma análise físico-química realmente significam quando observados em conjunto? Conseguimos transformar indicadores químicos isolados em uma leitura integrada da saúde biológica do solo”, afirma Leonardo Gomes, CEO da B4A.
O modelo interpreta 10 variáveis químicas tradicionalmente presentes em análises de solo e as organiza em sete eixos de saúde biológica. A partir dessas relações, a plataforma avalia dezenove riscos associados à funcionalidade microbiológica, disponibilidade de nutrientes e ocorrência de patógenos.
Entre os riscos avaliados estão limitações relacionadas à fixação biológica de nitrogênio, deficiência de micorrizas, perda de eficiência na ciclagem de nutrientes e pressão de patógenos como Fusarium, Rhizoctonia, Macrophomina, Ralstonia e Agrobacterium.
Dados obtidos durante o desenvolvimento da tecnologia revelaram padrões relevantes. Entre os mais frequentes, o fungo Fusarium oxysporum apareceu como principal risco biológico em 41,6% das amostras analisadas.
Também foram observadas ocorrências importantes relacionadas à baixa eficiência na solubilização biológica de fósforo e limitações na fixação biológica de nitrogênio.
O objetivo do Biostart não é substituir análises microbiológicas diretas, mas funcionar como uma ferramenta de triagem e priorização.
“O diagnóstico microbiológico completo continua sendo fundamental para entender quais organismos estão presentes e quais manejos devem ser adotados. A nova tecnologia permite identificar onde estão os maiores riscos e direcionar os esforços para as áreas que realmente merecem investigação aprofundada”, explica Gomes.
A expectativa da B4A é que a nova tecnologia amplie significativamente o acesso dos produtores à dimensão biológica do solo, área que vem ganhando importância dentro dos programas de agricultura regenerativa e de aumento da eficiência produtiva.
“A solução também poderá acelerar a integração entre análises físico-químicas tradicionais e diagnósticos microbiológicos avançados, criando uma nova camada de inteligência para tomada de decisão agronômica.”
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