Diagnóstico molecular surge como ferramenta estratégica para conter a doença e reduzir os impactos na pecuária brasileira
A brucelose continua sendo uma das principais enfermidades sob vigilância da pecuária brasileira. Dados do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em outubro de 2025, mostram que a doença ainda apresenta diferentes níveis de ocorrência entre os estados brasileiros, o que mantém o tema como prioridade para a sanidade animal e para a competitividade do setor.
A classificação dos estados considera o grau de risco epidemiológico da enfermidade, levando em conta a prevalência de focos e a efetividade das ações de defesa sanitária. Um dos destaques é Santa Catarina, que alcançou prevalência de apenas 0,9% de focos e se tornou o único estado brasileiro classificado na categoria de menor risco para brucelose bovina e bubalina.
Responsável por prejuízos relacionados a abortamentos, infertilidade e redução da produtividade dos rebanhos, a doença também preocupa autoridades sanitárias por seu potencial de transmissão aos seres humanos. Nesse cenário, cresce a demanda por métodos diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de acelerar a identificação dos casos e fortalecer as estratégias de controle.
“Embora o Brasil tenha avançado nos programas de controle da brucelose, os dados mostram que a doença ainda apresenta comportamentos distintos entre os estados. Por isso, é cada vez mais importante investir em diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de apoiar decisões sanitárias em tempo oportuno e reduzir a circulação do agente nos rebanhos”, afirma Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus.
A rapidez na identificação dos animais infectados é considerada um dos fatores mais importantes para conter a disseminação da doença. Isso porque, quanto menor o intervalo entre a coleta da amostra e a obtenção do resultado, mais rapidamente podem ser adotadas medidas de controle, como o isolamento de animais positivos, a investigação epidemiológica e a prevenção de novos casos dentro das propriedades.
Segundo a especialista, os métodos sorológicos tradicionais continuam sendo amplamente utilizados, mas podem exigir análises complementares e demandar mais tempo para a conclusão dos diagnósticos. Por outro lado, tecnologias moleculares vêm ganhando espaço ao permitir a identificação direta do material genético do agente infeccioso com maior rapidez e precisão.
Causada por bactérias do gênero Brucella, a brucelose afeta principalmente bovinos e bubalinos, comprometendo a eficiência reprodutiva dos rebanhos e gerando impactos econômicos significativos para os produtores. Entre os principais prejuízos estão abortamentos, nascimento de animais debilitados, queda nas taxas de prenhez, descarte precoce de matrizes e redução da produtividade das propriedades.
Apesar dos avanços registrados nos programas sanitários, o MAPA destaca que diferenças regionais relacionadas ao tamanho dos rebanhos, índices de vacinação, sistemas de produção e estrutura dos serviços veterinários ainda representam desafios para o controle da enfermidade.
Inovação fortalece a vigilância sanitária
O aumento da demanda por testes torna a modernização dos laboratórios fundamental para fortalecer o controle da brucelose. Nesse cenário, a automação e as ferramentas moleculares ajudam a agilizar os diagnósticos e ampliar a capacidade de resposta dos programas de defesa sanitária.
“As ferramentas moleculares e os sistemas automatizados estão transformando a rotina laboratorial ao permitir maior produtividade, padronização dos processos e rapidez na obtenção dos resultados. Isso fortalece os programas de vigilância sanitária e amplia a capacidade de resposta diante de doenças que impactam tanto a produção animal quanto a saúde pública”, destaca Tatiani.
Gostaria de exibir seu artigo aqui?Solicite um orçamento através do formulário abaixo.
*Atenção: Todos os campos são obrigatórios!
Converse conosco no WhatsApp