Tecnologias emergentes ampliam a capacidade de monitorar contaminantes e responder rapidamente aos riscos ambientais
A contaminação da água por pesticidas é um problema amplamente documentado por organismos internacionais e pela literatura científica. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, aborda o tema no relatório Guidelines for Drinking-water Quality (4ª edição, atualizada), que reúne evidências sobre os riscos associados à presença de contaminantes químicos incluindo pesticidas na água destinada ao consumo humano.
O documento destaca que a exposição prolongada a essas substâncias pode gerar efeitos adversos à saúde, o que justifica o monitoramento rigoroso desses compostos.
No campo da produção agrícola, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apresenta dados no relatório Pesticides Use (FAOSTAT) e em publicações como International Code of Conduct on Pesticide Management, que indicam que o uso global de pesticidas ultrapassa 4 milhões de toneladas por ano.
Parte significativa desses compostos não atinge o alvo pretendido e pode ser transportada para o ambiente por processos como escoamento superficial e lixiviação.
Diante desse cenário, a ciência tem avançado no desenvolvimento de ferramentas capazes de identificar essas substâncias com mais precisão e rapidez. Esse é o foco do capítulo “Nanosensores Avançados para Detecção de Pesticidas em Água: Garantindo a Segurança Ambiental e a Saúde Pública”, publicado na obra Emerging Nanotechnologies for Agroecosystem Management, em janeiro de 2026, por cientistas parceiros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro).
O estudo apresenta diferentes tecnologias de sensores voltadas à detecção de pesticidas em ambientes aquáticos, com destaque para abordagens eletroquímicas, ópticas e baseadas em bioreconhecimento.
Entre essas, os biossensores — como os enzimáticos, imunossensores e sensores de DNA — se destacam pela alta sensibilidade e especificidade, permitindo identificar compostos mesmo em concentrações muito baixas.
Um dos principais avanços apontados pelos pesquisadores está na incorporação da nanotecnologia a esses dispositivos. Os chamados nanosensores utilizam materiais em escala nanométrica que apresentam propriedades otimizadas, como maior área superficial e melhor capacidade de transferência de elétrons.
Na prática, isso significa respostas mais rápidas, maior precisão e limites de detecção significativamente menores.
Além do ganho em desempenho, esses sensores tendem a ser mais portáteis e acessíveis, o que abre caminho para análises realizadas diretamente em campo.
Essa possibilidade de monitoramento em tempo real representa um avanço estratégico para a gestão ambiental, permitindo intervenções mais ágeis diante de contaminações e contribuindo para a redução de riscos.
O capítulo também destaca que a integração dessas tecnologias com programas amplos de monitoramento e práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para preservar a qualidade da água. A detecção eficiente, por si só, não resolve o problema, mas fornece dados essenciais para orientar políticas públicas, ações de controle e estratégias de mitigação.
Assinado pelos pesquisadores Diego Maroso da Silva, Clarice Steffens e Juliana Steffens, o trabalho integra um esforço internacional de pesquisa na área. A publicação conta ainda com a edição de Leonardo Fraceto, coordenador do INCT NanoAgro, ao lado de cientistas de diferentes países.
Confira detalhes sobre a discussão dos autores em: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-981-95-0187-8_8
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