Home     Quem Somos     Agro News     Agro Tech     Contato

Fique por dentro

Ferrogrão amplia potencial de valorização do PZ Log em Sinop
PI AgSciences apresenta tecnologia inovadora para tratamento de sement...
Agrinordeste já registra ritmo acelerado de vendas
Iron Cowboy de Americana promete batalha histórica por R$ 200 mil e po...
Casale apoia expedição inédita que percorre fazendas e revela a eficiê...
No maior evento de horticultura da América Latina, Viqua Irriga monta ...
Transporte animal deve conciliar bem-estar, sanidade e viabilidade ope...
Edição gênica no agro avança e reforça demanda por precisão molecular
Goiás integra projeto que usa inteligência artificial e monitoramento ...
Direito e tradição na arena: entenda como a legislação brasileira prot...
PBR Brazil desembarca em Americana com disputa acirrada pelo título na...
China abre novas oportunidades para frigoríficos de Mato Grosso
Dia Mundial do Meio Ambiente: PIB Verde ganha força no Brasil com rest...
CATI celebra os 10 anos do Protocolo de Transição Agroecológica em eve...
Como preservar as margens da recria e engorda em fase de bezerro valor...
Programa do algodão reforça aposta da PZ Log em novas indústrias
Conselho do Agronegócio da ACSP recebe, em 2 de junho, ministro da Agr...
No mês que celebra o Dia Mundial da Abelha, Tereos e Syngenta inaugura...
Qualidade das sementes ganha protagonismo estratégico no setor
MT lidera crescimento no Centro-Oeste e acelera demanda por logística ...
Dia de Campo da Fatec Pompeia evidencia formação prática e reforça atr...
Agro impulsiona investimento em imóveis de alto padrão em São Paulo
No Dia da União da Cadeira de Proteína Animal, Quick Stick aposta em p...
Mata Atlântica atinge menor desmatamento em 40 anos e mira nova econom...
Missão do Banco Mundial na CATI debate as diretrizes do Projeto Agro P...
Setor florestal reage à proposta de lista de espécies invasoras em aud...
Fundação IDH articula compromissos para solucionar gargalos da rastre...
Simpósio em São José do Rio Preto projeta interior paulista como nova ...
Agro cresce, mas falta liderança: o risco silencioso dentro das empres...
IA, SEO e autoridade digital: o novo desafio das empresas técnicas e d...

Quota e seus enigmas

Paulo Bellincanta – Presidente do Sindifrigo MT

*Por Paulo Bellincanta

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.

Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.

Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.

Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.

O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.

A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.

Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.

É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.

Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.

Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.

*Paulo Bellicanta é presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo)

Veja mais sobre Agro News / Tech

Pioneiros em soluções agroindustriais, o grupo Multibelt celebra 37 anos de história!
Pioneiros em soluções agroindustriais, o grupo Multibelt cel...
Imagem: divulgação
Produtividade no campo impacta perspectivas para próxima saf...
Imagem: Freepik
Governança no Agro: curso destaca caminhos para acesso ao me...
Crédito: Nexxera
Tarifa dos EUA pressiona café e desafia fluxo de caixa da in...

Gostaria de exibir seu artigo aqui?

Solicite um orçamento através do formulário abaixo.

*Atenção: Todos os campos são obrigatórios!

Converse conosco no WhatsApp