Levantamento realizado pelo Movimento Plástico Transforma aponta que o valor financeiro gerado pelo mercado de resinas plásticas recicladas foi de R$ 4 bilhões
Com leis ambientais cada vez mais rigorosas, o Brasil vive um novo momento na economia circular. A pressão para que as empresas utilizem embalagens recicladas transformou a produção de resina plástica reciclada em um dos grandes destaques da indústria atual.
Esse novo movimento vem sendo impulsionado pelos avanços na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), metas mais rígidas de logística reversa e novas regras sobre gestão de resíduos. Assim, o país vem se consolidando como referência global quando o tema é circularidade do plástico.
Diante desse cenário, a indústria nacional vem se alinhando cada vez mais às questões de ESG, a fim de se adequar às exigências. “A reciclagem de plásticos pós-consumo no Brasil já supera a marca de 1,01 milhão de toneladas por ano, o que evidencia a capacidade do país de transformar plásticos já utilizados em novos recursos produtivos, gerando valor”, explica Marcelo Okamura, presidente da Campo Limpo Plásticos, única empresa do Brasil que produz embalagens recicladas para defensivos agrícolas – a partir de resina reciclada pós-consumo, sendo a pioneira global dessa iniciativa.
“A eficiência desse modelo sustentável reflete diretamente nos negócios. No ano passado, faturamos mais de R$ 500 milhões, nosso recorde. Isso comprova a plena viabilidade financeira do que fazemos e a importância das resinas recicladas para os negócios. Para 2026, devemos seguir crescendo, com aumento de 10%, no faturamento, em comparação com o ano anterior”, afirma o executivo.
O potencial econômico do setor também é validado por dados gerais de mercado. O último levantamento realizado pelo Movimento Plástico Transforma, parceiro da Rede Pela Circularidade do Plástico, iniciativa mobilizada pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), aponta que o valor financeiro gerado pelo mercado de resinas plásticas recicladas foi de R$ 4 bilhões, somente em 2024.
Sancionada recentemente, a Lei nº 15.088/2025 proibiu a importação de resíduos sólidos e rejeitos (incluindo plásticos) no Brasil. Com isso, as indústrias nacionais precisam olhar exclusivamente para o mercado interno para obter matéria-prima reciclada, aquecendo a demanda por empresas brasileiras capazes de fornecer resina pós-consumo de alta qualidade.
O também recente decreto federal 12.688, publicado em 21 de outubro de 2025, instituiu o Sistema de Logística Reversa (SLR) para embalagens de plástico. O objetivo central desta legislação é promover a economia circular do plástico, aprimorar a infraestrutura física e logística de destinação ambientalmente correta do material no mercado nacional e fortalecer a inclusão socioprodutiva de catadoras e catadores de material reciclável nesse ecossistema.
Contudo, essa legislação não se aplica aos sistemas de logística reversa de embalagens de produtos eletroeletrônicos de uso doméstico; medicamentos domiciliares de uso humano, de defensivos agrícolas e óleos lubrificantes – todos regulamentados por sistemas de logística reversa específicos.
Para Okamura, o avanço das regulamentações apenas evidencia que a indústria brasileira já está preparada para os novos tempos. “Toda a indústria deve estar ciente de que transformar desafios ambientais e legais em recursos valiosos para toda a cadeia produtiva é uma necessidade”, finaliza.
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